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A minha vida cabe numa Kombi

Minha vida cabe numa Kombi. Na verdade, ela está presente em quase todos os fatos marcantes dos meus 26 anos. Minha mãe foi pro hospital de Perua pra me conceber. Quando rumei pra minha casa, fui de Kombi, o primeiro carro que andei na vida. E é nessa mesma Kombi que mora a minha primeira lembrança quando pequeno.

Momentos marcantes, bons ou ruins. Meu avô faleceu dentro de uma Kombi, daquelas clássica movidas a gás. Enfarto fulminante, morreu com o cigarro aceso pendurado na boca. Ele era entregador de pão e leite aqui em Pedreira. Aí começou o meu vínculo com essa maravilha da engenharia automotiva. Eu nem era nascido, vale dizer. Meu pai, genro do vô, assumiu a profissão. E foi aí que a kombosa chegou em casa. Pai e mãe se casaram e a Kombi estava lá, agora com novo dono.

Dia dos Pais de 1995. Família reunida pra comemorar a data na casa da minha tia, vizinha da construção da nossa atual casa. Antes do almoço, a família toda desceu pra ver como estava a nossa casa. Menos as crianças. Ficamos na casa da tia. Tinha uma churrasqueira improvisada, feita de tijolo solto, além de uma garrafa de álcool e uma caixa de fósforo. Um litro de álcool jogado no carvão, um fósforo riscado e, depois da mini-explosão, as minhas duas pernas estavam queimadas. 

Lembro perfeitamente até hoje. Saí correndo pra minha futura casa gritando pra caralho. Pai e mãe já vieram desesperados ao meu encontro. Quando os vi, saltei no chão e, desesperado e sem entender nada, comecei a assoprar as minhas pernas. Mãe me pegou no colo, saltamos na Kombi e corremos pro hospital. Meu pai dirigiu uma Kombi como se ela fosse um carro de Fórmula 1. No hospital, fui tratado e liberado no mesmo dia. Voltei pra casa de Kombi com as feridas das cicatrizes que tenho até hoje.

Anos depois, recém mudados pra casa nova, numa noite de domingo, meu pai me faz um convite: “Jão, vamos trabalhar com o pai?” PORRA, EU TAVA SENDO CONVIDADO PRA TRAMPAR COM O MEU ÍDOLO. E DE KOMBI. Virei “padeirinho”, o ajudante do entregador. O pai dirigia e eu levava o pão pra porta dos clientes, além de atender quem viesse comprar pão, leite de saquinho ou pão doce na Kombosa.

Ganhei uns oito anos da minha vida assim, dividindo espaço com om botijão de gás, pães, leite e muita felicidade. Nesse período, trocamos de Kombosa. Foi-se a linda bege-calcinha-de-freira e veio a brancona que bebia gasolina. Meu pai seguiu nessa vida até eu terminar a minha faculdade. Todo dia entrando numa Kombi e levando o café da manhã da galera.

Também foi o primeiro carro que dirigi na vida. Aprendi vendo o meu pai dirigindo. Um dia, pedi se podia tentar e ele deixou. Montei no banco do patrão, apertei a embreagem (o barulho mais gostoso de se ouvir no mundo é o de embreagem de Kombi), engatei a primeira, pisei de leve no acelerador, comecei a levantar o pé da embreagem e… morreu. Hahahaha. Tentei mais algumas vezes, andeis uns quatro metros e parei. Deixa pra depois.

Hoje, a nossa Kombi segue na garagem. E ainda é muito útil. É o transporte que traz as mercadorias pra nossa mercearia, que sustenta a casa.

A minha vida cabe numa Kombi e eu me orgulho muito disso. 

 

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Categorias:Uncategorized
  1. 28/03/2014 às 15:19

    bah, meu :~~~~~~~~~~~

    que coisa mais bonita esse texto.

  2. 29/03/2014 às 00:16

    Lindo! Lágrimas nos olhos.

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